Por Rui Eduardo Paes:

 

“Na minha actividade como ensaísta/jornalista cultural, crítico de música, programador de concertos e curador estou sempre à procura de artistas cujo trabalho tenha uma característica especial e diferenciadora. Foi essa particularidade que encontrei em Érika Machado, e tanto enquanto artista visual como enquanto cantautora. O mesmo tipo de postura e intervenção define o que faz na área da criação plástica (desenho, pintura, criação de objectos artísticos de variado teor, video-arte, animação) e na área da música: há uma superfície, um primeiro dar-a-ver e dar-a-ouvir, que na sua aparente limpeza formal e simplicidade de conteúdos (ou na sua aparente “ingenuidade”) parece totalizar o significado de cada obra. O que erradamente julgaríamos ser uma pop art e uma música pop sem densidade são, afinal, encenações de uma condição adolescente e de fácil assimilação, funcionando como um clin d’oeil, um armadilhamento perceptivo, um trabalho de ironização. Muito depressa somos remetidos para algo de mais complexo, a camada exterior soltando-se e permitindo-nos o desvelamento de outras que vão indo mais fundo. É então que mais leituras se proporcionam e que se entende a dimensão crítica intencionada, aos níveis social, cultural, político e económico, chegando até ao extremo de uma problematização existencial, um colocar em causa dos dados adquiridos da vida em sociedade.”

Artista etc, brasileira e mineira de Belo Horizonte, vim para Portugal em 2010 para cursar um Mestrado em Crítica de Artes e Arquitectura, e olha, ainda estou por aqui. Na minha trajetória como artista, editei quatro discos autorais em nome próprio, participei de diversas exposições individuais e coletivas, fiz alguns pequenos filmes e alguns projetos como designer (tudo isso no Brasil). Nos últimos anos vinha me dedicando ao projeto Spicy Noodles, em parceria com Filipa Bastos (em Portugal). Atualmente preparo o que será o meu quinto álbum autoral, e acabo de estrear na SMUP Parede um concerto em nome próprio com a intenção de apresentar um pouco do meu projeto individual e mostrar um bocadinho das coisas que ja fiz Portugal, já que nunca me apresentei em modo solitária por aqui. Para este concerto que montei para me apresentar escolhi um repertório que passeia por diversas fases da minha trajetória musical (mas atualizei e coloquei roupas novas nessas canções), além também de algumas canções novas que tenho feito nos últimos tempos. Acredito que assim, posso dar a conhecer um pouco da minha trajetória antes de apresentar um disco novo, afinal de contas já existe uma estória até aqui. 
 Apesar do meu trabalho artístico se aproximar mais do campo da música, no campo académico estou mais interessada no debate que acontece no universo das artes visuais, por isso fiz minha graduacão em Artes Plásticas na Universidade do estado de Minas Gerais, a pós graduação em Ensino e Pesquisa no Campo da Arte e da Cultura na mesma universidade, cursei o mestrado em Crítica de Artes e Arquitetura pela Universidade de Coimbra, mesma instituição onde ainda curso o Doutoramento em Arte Contemporânea. 
Na construção do meu trabalho sempre participo ou realizo sozinha todas as etapas do processo criativo, além da parte musical, sou responsável pelas artes de todos os CD´s, assim como meus sites, videoclipes, cenários, etc. Ah! Também sou eu quem escreve todos os projetos (se bem que não tenho aprovado nenhum ultimamente), atualmente até técnica de som dos meus próprios concertos tenho sido, enfim, pau pra toda obra. Tenho alguns discos autorais gravados e são eles: Superultramegafluuu é um disco de 2014 realizado com patrocínio da Natura Musical (através de seu edital). 
É um álbum, é dedicado às crianças, mas isso não quer dizer que eu ache que exista determinados tipos música para determinadas faixas etárias. Bem Me Quer Mal Me Quer foi realizado com o patrocínio da Petrobras Cultural (através de seu edital) é o meu disco mais orgânico, foi gravado com uma banda no estúdio 128 Japs em 2009. No Cimento é o meu primeiro álbum "de verdade", foi editado pela gravadora carioca Indie Records em 2006, ele foi realizado com o patrocínio da extinta telefónica Telemig Celular (através de seu edital), e foi o primeiro trabalho a me levar para passear por toda parte.
 O Baratinho é um objeto disco de 2003, foi todo gravado em meu próprio quarto em uma única noite, e também era copiado lá também. O Baratinho tem uma estória muito particular que eu adoro contar!
Éramos amigos na universidade, e resolvemosmos um grupo que se intitulava "Os Novos Utópicos" grande parte desse pessoal, participava no grupo de estudos da querida Piti. 
Um dia, "Os Novos Utópicos" decidiram ocupar as ruas da cidade, existia um cansaço por ter de ficar à espera poder ser selecionado por uma intituição para poder fazer alguma coisa. Nessa ocupação, cada pessoa escolhia uma parte da cidade para intervir, e assim como a Laís Myrra fez num muro do centro da cidade o seu "Memorial do Esquecimento" (um trabalho onde ela pintava o muro de preto, e depois ia anotando os nomes dos passantes nesse muro com tinta branca até o muro voltar a ser branco de novo), e Juliana Mafra fez seu corpo e cabelo pintados em forma de boneco numa madeira enorme, onde tinha um buraco redondo no lugar do rosto para as pessoas colocarem suas próprias caras, eu gravei um álbum com minhas composições em formato voz e guitarra.
Fizemos milhares de jornais para distribuir pela cidade, nesse jornal, havia um mapa com a indicação das localizaçõs dos trabalhos e falava um pouquinho sobre cada artista/trabalho.
Meu Baratinho, foi distribuído numa banquinha de camelô que comprava e vendia CD´s usados no centrão da cidade. Para começar deixei lá 20 cópias que se esgotaram rapidamente, e a partir daí meu quartinho da casa da minha mãe se transformou num centro de cópias, cada cópia era feita em meu próprio computador e os encartes eram cortados e montados lá também. Acabei vendendo 800 cópias em muito pouco tempo, e acho que não vendi mais porque não conseguia fazer a quantidade de cópias que me eram pedidas. Quando fazia as apresentações das músicas desse álbum, levava todos os objetos do meu quarto que estavam representados na capa do disco, as pinturas, a guitarra e uma prateleira cheia de discos e bugingangas. A cadeira que eu levava para usar no concerto também era um objeto desse quarto, estudio e ateliê que eu tinha na casa da minha mãe. E por último, editado mais recentemente, pouco antes do início da pandemia, o disco Spicy Noodles Sensacional!, projeto feito em parceria com Filipa Bastos, edidado em 2021 pela editora Lux Records de Coimbra, foi todo gravado em casa, e também foi produzido pelo John Ulhoa, meu mestre e produtor, compositor, vocalista e guitarrista daminha banda preferida Pato Fu.

Para terminar, deixo aqui uma fotografia tirada com os meus grandes parceiros, John Ulhoa (meu produtor, amigo do peito e Mestre), e Daniel Saavedra (guitarrista, salva roubadas, amigo do peito e companheiro de todos os rolés fazendo shows pelo Brasil).
Essa foto é do meu coração, porque os dois marotinhos espetaculares são os meus maiores parceiros nessa empreitada de querer botar minhas músicas nesse mundão de meo deos.

Prêmios

lojinha

contato